Confirmação ou Crisma

A confirmação é um dos sacramentos da Igreja. Com o Batismo e a Eucaristia, constitui o conjunto dos “sacramentos da iniciação cristã”, isto é, sacramentos cuja receção é necessária para a plenitude da graça que recebemos no Batismo.
A confirmação une mais intimamente à Igreja e enriquece com uma força especial do Espirito Santos, e com ela aqueles que a recebem ficam obrigados a difundir e defender a fé através de palavras e atos, como verdadeiras testemunhas de Cristo.
(Constituição Lumen Gentium, 11Catecismo da Igreja Católica, 1285)

1. Confirmação na Bíblia e na história da Igreja

No Antigo Testamento, os profetas anunciaram que o Espírito do Senhor repousaria sobre o Messias esperado. No livro do profeta Isaías, as seguintes palavras são colocadas nos lábios do Messias: “O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu: enviou-me a levar a boa-nova aos que sofrem.” (Isaías 61,1-2)
Algo semelhante é também anunciado a todo o povo de Deus; aos seus membros, Deus diz: “Vou infundir em vós o meu espírito fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus preceitos.” (Ezequiel 36,27).
A descida do Espírito Santo sobre Jesus no seu Batismo por João foi o sinal de que Ele era o que devia vir, o Messias, o Filho de Deus. Tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, toda a sua vida e toda a sua missão se realizam em total comunhão com o Espírito Santo que o Pai lhe dá “sem medida”.
Repetidamente, Cristo prometeu esta efusão do Espírito, promessa que realizou primeiro no dia da Páscoa e depois, de forma mais evidente, no Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos começam a proclamar as maravilhas de Deus e Pedro declara que esta efusão do Espírito é o sinal dos tempos messiânicos. Os Atos dos Apóstolos contam que aqueles que acreditaram na pregação apostólica e foram batizados receberam, por sua vez, o dom do Espírito Santo pela imposição das mãos e pela oração. É essa imposição das mãos que tem sido corretamente considerada pela tradição católica como a origem primitiva do sacramento da Confirmação, que perpetua na Igreja a graça do Pentecostes.
Este quadro bíblico completa-se com a tradição paulina e joanina que vincula os conceitos de “unção” e “selo” com o Espírito infundido nos cristãos. Este último encontrou expressão litúrgica já nos documentos mais antigos, com a unção do candidato com óleo perfumado. Esta unção ilustra o nome “cristão”, que significa “ungido”, e que tem a sua origem no nome de Cristo a quem “Deus ungiu com o Espírito Santo”. Este rito de unção existe até hoje tanto no Oriente como no Ocidente. No Oriente chama-se a este sacramento crismação, unção com o crisma ou mírron, que significa “crisma”. No Ocidente o nome de Confirmação sugere que este sacramento, simultaneamente, confirma o Batismo e fortalece a graça batismal.
Como se lê nos Atos dos Apóstolos, este sacramento já se vivia na Igreja primitiva: «Quando os Apóstolos, que estavam em Jerusalém, tiveram conhecimento de que a Samaria recebera a palavra de Deus enviaram para lá Pedro e João. Estes desceram até lá e oraram pelos samaritanos para que eles recebessem o Espírito Santo. Na verdade, não descera ainda sobre nenhum deles, pois tinham apenas recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. Pedro e João iam, então, impondo as mãos sobre eles, e recebiam o Espírito Santo” (Atos dos Apóstolos 8, 14-17).
(Catecismo da Igreja Católica, 1286-1289; Paulo VI, Const. Apost. Divinae consortium naturae)

2. Rito da Confirmação

Por meio da unção com óleo, a confirmação recebe “a marca”, o selo do Espírito Santo. A unção do santo crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração. Pela Confirmação, os cristãos, o que significa aqueles que são ungidos, participam mais plenamente na missão de Jesus Cristo e na plenitude do Espírito Santo que ele possui, de modo a que de toda a sua vida emane “o bom odor de Cristo”.
Um momento importante que precede a celebração da Confirmação, mas que, de certo modo, faz parte dela, é a consagração do santo crisma. É o bispo que, na Quinta-feira Santa, no decurso da Missa Crismal, consagra o santo crisma para toda a sua diocese.
A liturgia do sacramento começa com a renovação das promessas do Batismo e a profissão de fé dos confirmandos. Assim, fica patente que a Confirmação constitui o prolongamento do Batismo.
No rito romano, o bispo estende as mãos sobre todos os confirmandos, um gesto que desde os tempos dos Apóstolos é o sinal do dom do Espírito.
Segue o rito essencial do sacramento. No rito latino, o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do sagrado crisma na testa, pela imposição das mãos, e com estas palavras: «Recebe, por este sinal, o Espírito Santo, o dom de Deus».
O ministro da Confirmação é o bispo. Embora o bispo possa, se necessário, conceder a outros presbíteros o poder de administrar o sacramento da Confirmação, convém que ele próprio o confira.
(Catecismo da Igreja Católica, 1293-1301; 1312-1314; Paulo VI, Const. Apos. Divinae consortium naturae)

3. Efeitos do sacramento da Confirmação

O efeito do Sacramento da Confirmação é a efusão especial do Espírito Santo tal como foi concedida aos Apóstolos no dia de Pentecostes.
Por esta razão, a Confirmação confere crescimento e profundidade à graça batismal:
– introduz-nos mais profundamente na filiação divina;
– une-nos mais firmemente a Cristo;
– aumenta em nós os dons do Espírito Santo;
– torna o nosso vínculo com a Igreja mais perfeito;
 – dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé através de palavras e ações como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e nunca sentir vergonha da cruz.
A confirmação, como o Batismo, imprime na alma do cristão um sinal espiritual ou caráter indelével; por isso, este sacramento só pode ser recebido uma vez na vida.
(Catecismo da Igreja Católica, 1302-1305ae)

4. Quem pode receber este sacramento?

Todos os batizados, ainda não confirmados, podem e devem receber o sacramento da Confirmação. Visto que o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia formam uma unidade, todos “os fiéis têm a obrigação de receber este sacramento oportunamente” porque sem a Confirmação e a Eucaristia, o sacramento do Batismo é certamente válido e eficaz, mas a iniciação cristã fica incompleta.
No Oriente, este sacramento é administrado imediatamente após o Batismo e é seguido pela participação na Eucaristia, uma tradição que destaca a unidade dos três sacramentos da iniciação cristã. Na Igreja latina este sacramento é administrado quando se atinge “a idade do uso da razão”.
Há uma preparação para o sacramento que ajuda a sentir-se parte da Igreja de Jesus Cristo. Cada paróquia tem a responsabilidade pela preparação dos confirmandos.
Para receber a Confirmação é necessário estar em estado de graça. É conveniente recorrer ao sacramento da Penitência para ser purificado em atenção ao dom do Espírito Santo. Devemos preparar-nos com uma oração mais intensa para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo.
Tal como para o Batismo, os confirmandos devem procurar a ajuda espiritual de um padrinho ou madrinha. Convém que este seja o mesmo do Batismo, a fim de sublinhar a unidade entre os dois sacramentos.
(Catecismo da Igreja Católica, 1306-1311)