Penitência

1. Confessar-se, porquê?

O sacramento da Penitência, também chamado de Reconciliação ou Confissão, é um sacramento instituído por Jesus Cristo para perdoar os pecados, quando disse aos seus apóstolos: «Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos» (Jo, 20, 23).
Porque a vida nova que nos foi dada por Ele no Batismo pode debilitar-se e perder-se por causa do pecado. Por isso, Cristo quis que a Igreja continuasse a sua obra de cura e de salvação mediante este sacramento.
Pela absolvição sacramental do sacerdote, que atua em nome de Cristo, Deus concede ao penitente o perdão e a paz, recupera a graça pela qual vive como filho de Deus e pode chegar ao céu, a felicidade eterna.
(Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1420-1421; 1426; 1446)

2. O que é o pecado?

O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a reta consciência. É uma falha contra o verdadeiro amor para com Deus e para com o próximo, por causa dum apego perverso a certos bens. Fere a natureza do homem e atenta contra a solidariedade humana. Santo Agostinho definiu-o como “o amor de si próprio levado até ao desprezo de Deus”. Por esta exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente oposto à obediência de Jesus que realiza a salvação (cf. Flp 2, 6-9).
Os pecados distinguem-se segundo a sua gravidade em mortal e venial. O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave à Lei de Deus. Desvia o homem de Deus, que é o seu último fim, a sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior. O pecado venial deixa subsistir a caridade, embora ofendendo-a e ferindo-a.
Para que um pecado seja mortal requerem-se, em simultâneo, três condições: «É pecado mortal o que tem por objeto uma matéria grave, e é cometido com plena consciência e com propósito deliberado».
A matéria grave é precisada pelos Dez mandamentos segundo a resposta que Jesus deu ao jovem rico: «Não mates, não cometas adultério, não furtes, não levantes falsos testemunhos, não cometas fraudes, honra pai e mãe» (Mc 10, 18). A gravidade dos pecados é maior ou menor: um homicídio é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas também entra em linha de conta: a violência cometida contra pessoas de família é, por sua natureza, mais grave do que a exercida contra estranhos.
Comete-se um pecado venial quando, em matéria leve, não se observa a medida prescrita pela lei moral ou quando, em matéria grave, se desobedece à lei moral, mas sem pleno conhecimento ou sem total consentimento. O pecado venial enfraquece a caridade, traduz um afeto desordenado aos bens criados, impede o progresso da pessoa no exercício das virtudes e na prática do bem moral; e merece penas temporais. O pecado venial deliberado e não seguido de arrependimento, dispõe, a pouco e pouco, para cometer o pecado mortal.

(Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1849-1864)

3. O que é preciso para fazer uma boa Confissão?

Para fazer uma boa Confissão é necessário: um diligente exame de consciência dos pecados cometidos desde a última Confissão; a contrição ou arrependimento; a confissão, ou a acusação dos pecados feita ao sacerdote e a satisfação ou penitência imposta pelo confessor ao penitente para reparar o dano causado pelo pecado.
Para fazer o exame de consciência ajuda recordar os pecados cometidos desde a última confissão à luz dos dez mandamentos, do Sermão da montanha e dos ensinamentos apostólicos.
A contrição consiste na dor e detestação do pecado cometido, porque é uma ofensa a Deus e aos outros, e inclui o desejo de não voltar a pecar.
Pela confissão ou acusação o homem confronta-se com os pecados de que se sente culpado, assume a sua responsabilidade e, por isso, abre-se de novo a Deus e à comunhão com a Igreja. Devem-se enumerar todos os pecados mortais de que se tem consciência depois de se ter examinado com seriedade, inclusivamente se esses pecados são muito secretos, pois por vezes esses pecados ferem mais gravemente a alma e são mais perigosos do que os que se cometeram à vista de todos.
A confissão de todos os pecados cometidos manifesta a verdadeira contrição e o desejo da misericórdia divina. É como quando o doente mostra a sua chaga ao médico para ser curado.

4. Porquê pedir perdão a um homem e não diretamente a Deus?

Só Deus perdoa os pecados. Por ser o Filho de Deus, Jesus diz de si mesmo: “O Filho do homem tem poder de perdoar pecados na terra” (Mc 2,10) e exerce esse poder divino: “Teus pecados estão perdoados!” (Mc 2,5). Mais ainda: em virtude da sua autoridade divina, transmite esse poder aos homens para que o exerçam em seu nome.
A vontade de Cristo é que toda a sua Igreja seja, na oração, na vida e na ação, o sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que “ele nos conquistou pelo preço do seu sangue”. Mas confiou o exercício do poder de absolvição ao ministério apostólico, encarregado do “ministério da reconciliação” (2Cor 5,18). O apóstolo é enviado “em nome de Cristo”, e “é o próprio Deus” que, por meio dele, exorta e suplica: “Reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5,20).
(Catecismo da Igreja Católica, 1441-1442)

5. Com que frequência nos devemos confessar?

Ele nunca se cansa de perdoar, mas nós às vezes é que nos cansamos de pedir perdão.
(Papa Francisco, Angelus, 17 de abril de 2014)

Todo o fiel quando chega à idade da razão deve confessar-se ao menos uma vez por ano. Além disso, quem tiver consciência de se encontrar em pecado grave não pode comungar, sem antes se confessar. Também, a Igreja recomenda vivamente a confissão habitual dos pecados veniais, porque ajuda a formar a consciência, a lutar contra as más tendências, a deixar-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito.
O apelo de Cristo à conversão continua a fazer-se ouvir na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que «contém pecadores no seu seio» e que é, «ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação, prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e de renovação». Este esforço de conversão não é somente obra humana. É o movimento do «coração contrito» atraído e movido pela graça para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro.
O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do “filho pródigo”, cujo centro é “O pai misericordioso”: o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: a miséria extrema em que o filho se encontra depois de delapidada a fortuna: a humilhação profunda de se ver obrigado a guardar porcos e, pior ainda, de desejar alimentar-se das bolotas que os porcos comiam: a reflexão sobre os bens perdidos: o arrependimento e a decisão de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspectos próprios do processo de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão cheio de simplicidade e beleza.
(Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1428; 1439; 1457)

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A Clara pergunta: O que é um ‘pecado grave’, e porque é que também se chama ‘pecado mortal’? O que destingue o ‘pecado ligeiro’ do ‘pecado grave’?

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Deus perdoa como se nunca tivesses pecado.